Nota de Solidariedade da Black Rose Anarchist Federation

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NOTA DE SOLIDARIEDADE PARA A CAMPANHA PELA LIBERDADE DE RAFAEL BRAGA

Nós, da Black Rose Anarchist Federation (Federação Anarquista Rosa Negra), expressamos nossa solidariedade com a Campanha pela Liberdade de Rafael Braga. O caso do Rafael Braga é um exemplo muito comum de como estados autoritários capitalistas atuam em comunidades pobres e racializadas. Ainda, demonstra que o estado trata comunidades pobres e Pretas no Brasil não como parte do corpo político, mas como colônias internas sujeitas à vigilância contínua e abuso de uma força policial racista, militarizada e violenta. Como nos Estados Unidos, a “Guerra às Drogas” no Brasil é, na verdade, uma guerra contra o povo Preto; outra ferramenta que a Hidra capitalista de duas cabeças e o estado usa para sustentar uma hierarquia social injusta. O aparato de cumprimento da lei vitimou o Rafael não por algum crime que tenha cometido, mas porque queriam punir movimentos sociais que se organizaram contra políticas econômicas neoliberais. A polícia viu Rafael como um alvo adequado porque, baseado por sua raça e posição de classe na sociedade, eles sabiam que não teria os meios para se defender do sistema penal.

O estado policial do Rio de Janeiro vitimou, abusou e encarcerou Rafael não por algum crime, mas porque ele é pobre e porque é Preto. Ele tem mãe, padrasto e seis irmãos e irmãs vivendo numa favela que dependiam do apoio dele. Assim como muitas pessoas nas favelas das quais o sistema econômico sistematicamente retirou direitos, ele ganhava algum dinheiro para sua família catando material reciclável nas ruas para vender. Durante protestos contra o aumento das passagens de ônibus em junho de 2013, a polícia cassou manifestantes. Rafael não participava dos protestos, mas foi um alvo fácil para a polícia que queria alguém como exemplo. Sem prova alguma, o acusaram de usar as garrafas que levava para fazer coquetéis molotov. O juiz considerou apenas a palavra da polícia e condenou o Rafael há 5 anos de prisão. Depois de muita pressão de movimentos sociais e ativistas de direitos humanos, o estado soltou o Rafael em condicional, com uma tornozeleira em dezembro de 2015. Porém, essa vitória parcial durou pouco. Um mês depois a polícia novamente vitimou o Rafael. Eles o abordaram, acusaram de estar envolvido com traficantes, o espancaram, ameaçaram de estupro, forjaram drogas e acusaram de tráfico. Plantar drogas é uma das táticas mais comuns que a polícia usa contra pessoas Pretas em favelas no Rio de Janeiro.

Nós condenamos o terrorismo do estado Brasileiro contra o povo Preto e pobre e pedimos que o estado retire todas as acusações contra o Rafael e o solte imediatamente. Nós saudamos os esforços das organizações Brasileiras que se uniram na Campanha pela Liberdade de Rafael Braga e torcemos por uma vitória o quanto antes. Aqui nos Estados Unidos da América estamos familiarizados até de mais com o terror do capitalismo racializado e lutamos pelo desempoderamento do estado policial e o empoderamento de movimentos organizados do povo. No caso do Rafael Braga, nós reconhecemos muitas das mesmas dinâmicas que vemos aqui sob o estado policial capitalista supremacista branco que do mesmo jeito implementa violência sistêmica para manter comunidades pobres e Pretas em uma posição econômica e política de subjugação. Nós nos mantemos em solidariedade com todas as pessoas que lutam contra esse estado intolerável de acontecimentos. Libertem Rafael Braga!

Black Rose Anarchist Federation/Federación Anarquista Rosa Negra

SOLIDARITY STATEMENT FOR THE CAMPAIGN FOR THE FREEDOM OF RAFAEL BRAGA

We, the Black Rose Anarchist Federation, express our solidarity with the Campaign for the Freedom of Rafael Braga. The case of Rafael Braga is an all too common example of how capitalist police states prey on poor and racialized communities. Further it demonstrates that the state treats poor and Black communities in Brazil not as part of the body politic, but as internal colonies subject to the continual surveillance and abuse of a brutal, militarized, and racist police force. Like in the United States, the “War on Drugs” in Brazil is actually a war on Black people; another tool that the double-headed Hydra of capitalism and the state uses to uphold an unjust social hierarchy. Rio de Janeiro’s law enforcement apparatus targeted Braga not for any crime he committed, but because they wanted to punish social movements that organize against neoliberal economic policies. The police saw Braga as a suitable target because, based on his race and class position in society, they knew he would not have the resources to defend himself from the legal system.

The state’s police in Rio de Janeiro targeted, abused, and imprisoned Braga not for any crime he committed, but because he is poor and because he is Black. He had a mother, step-father, and six younger siblings living in a favela who depended on him for support. Like many people in the favelas who the economic system has systemically disenfranchised, he earned money for his family by searching the streets for recyclable materials to sell at market. During protests against a bus fare increase in June 2013, the police cracked down on protesters. Braga did not participate in the protests, but made an easy target for police who wanted to make some examples. With no evidence, they accused him of using the bottles he had with him to make Molotov cocktail explosives. They court took the police officers’ word for it and charged Braga with five and a half years in prison. After a lot of pressure from local social movement organizers and human rights activists, the state released Braga on probation, with an ankle monitor, in December, 2015. However this partial victory was short-lived. One month later the police again targeted Braga. They approached him, accused him of being involved with drug dealers, beat him, threatened to rape him, planted drugs on him, and charged him with drug trafficking. Planting drugs is one of the most common tactics police use against Black people in favelas in Rio de Janeiro.

We condemn the racist Brazilian state’s terrorism against Black and poor people and call for the state to drop all charges against Braga and release him immediately. We salute the efforts of the Brazilian organizations which have united in the Campaign for the Freedom of Rafael Braga and route for their speedy victory. Here in the United States of America we are all too familiar with the terror of racialized capitalism, and we struggle for the disempowerment of the police state and the empowerment of organized people’s movements. In the case of Rafael Braga, we recognize so much of the same dynamics we see here under the white supremacist capitalist US police state which likewise deploys systemic violence to keep poor and Black communities in a position of economic and political subjugation. We stand in solidarity with all people who struggle against this intolerable state of affairs. Free Rafael Braga!

Black Rose Anarchist Federation/Federación Anarquista Rosa Negra

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